Economia criativa é a saída para a crise


Nos momentos de crise que aparecem as melhores oportunidades. Quem sobrevive não é o mais forte, mas aquele com melhor capacidade de adaptação”, assim o naturalista inglês Charles Darwim definiu  a espécie e sua evolução. Em um contexto de negócio em constante mutação, as reações do varejo devem ser cada vez mais rápidas e os modelos de negócio devem  ser construídos acima de uma arquitetura de processos e tecnologia flexíveis, capazes de responder rapidamente para a manutenção da rentabilidade do comércio. O cenário macroeconômico não é nada animador: rebaixamento do grau de investimento por várias agências internacionais,  índices de desemprego subindo sistematicamente, o preço da energia elétrica disparado e a ociosidade da  indústria e do comércio em níveis recordes.

O comércio tradicional, baseado em lojas físicas, não irá morrer e continuará como o principal gerador de vendas.  Os varejistas sempre se reinventam – utilizam-se das inovações tecnológicas para se adaptar ao novo consumidor ao mesmo tempo em que mantém e/ou incrementam eficiência e lucratividade. Em tempos de crise, controle absoluto de custo passa a ser a prioridade máxima e a loja física retoma sua importância como motor de vendas.

Afora a tecnologia e seus avanços, o setor de panificação,  particularmente, aposta muito no artesanal como forma  de diversificar os produtos, com constantes modificações na elaboração de produtos que possam utilizar o congelamento,  pães rústicos, fermentação longa, sementes, grãos
aproveitando a mesma massa na criação de novidades. A economia criativa é a única saída para superar todos os obstáculos causados pela recessão mundial com reflexos em todos os setores. Não adianta nada entrar em desespero  em razão dos sinais de desaquecimento da economia e queda nas vendas. Isso não vai resolver o problema. A única saída para o empreendedor é buscar proteção para os tempos conturbados. Não importa que  sacrifícios isso possa envolver. Lembre sempre que “a inovação é o que distingue um líder de um seguidor”, quem disse isto foi o saudoso e incomparável criador da Appe, Steve Jobs. Apostar em períodos sazonais criando festivais durante certo período do mês, desperta no cliente a atenção
necessária a venda. As frutas da época também fazem parte das novidades a serem implantadas não só na elaboração criativa de produtos de panificação como em sucos naturais, principal bebida para acompanhar as iguarias  oferecidas. Em meio a toda e qualquer novidade como parte da economia criativa vale destacar que quanto mais preciso for  o sortimento de produtos oferecidos aos  clientes de cada loja, mais otimizado poderá
ser o volume de estoque a ser mantido  em cada localidade, que leva a maior venda  por metro quadrado, além de uma melhor  experiência do cliente.
Todos nós empresários do setor de panificação temos que encarar os problemas  como oportunidades. É claro que, durante  períodos de inquietação e nervosismo, torna-se mais fácil identificar mais problemas do que saídas. Porém, vetar todas as  idéias sugeridas pelo grupo só porque elas não se encaixam perfeitamente na atual conjuntura pode impossibilitar  a resolução destas questões. Por isso, em vez de dizer “não” logo de cara, tente imaginar o que seria necessário fazer para que este plano dê certo e, assim, refletir sobre  a viabilidade de implantá-la. Encarando desta forma, o que
antes era um empecilho pode se tornar uma oportunidade.
O varejo deve colocar foco no seu core business (ponto estratégico do negócio) sem nunca deixar de lado a necessidade contínua de evolução e inovação de seu negócio, para se manter à frente em seu segmento.  Inovação é um termo cada vez mais valorizado no ambiente de trabalho, afinal diante de um mercado competitivo em que, apesar de extenso planejamento, aparecem imprevistos,  é necessário pensar em soluções rápidas e criativas para restabelecer a vantagem da sua empresa e conquistar  resultados positivos para sua equipe. É fundamental se entregar ao desafio. A princípio, pode parecer uma má ideia, uma vez que você já está num contexto bastante enervante no trabalho. Porém, ao propor questões aparentemente impossíveis, você obriga sua mente a pensar fora dos padrões  justamente porque eles mexem com suas ambições de crescimento e sucesso profissional, ou seja, você se vê motivado a atingir seus objetivos. Por isso, não hesite em se desafiar para resolver problemas corporativos.
É necessário estabelecer limites. Às vezes, ter muito tempo e recursos prejudicam a qualidade do brainstorming nestas situações. Quando você perceber que este é o caso, proponha prazos e outros limites que possam servir como motivação para você e seus colegas tomarem estas decisões
e apresentarem resultados. Se você se sentir muito pressionado, você pode estabelecer estas barreiras criando  uma rotina, isto é, todo dia, durante alguns minutos, você vai parar e pensar sobre o assunto. Estas medidas, embora pareçam, no primeiro momento, pouco eficientes, podem trazer progresso mais rapidamente. O Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria do Município do Rio de Janeiro tem se esforçado muito para
alavancar mudanças possibilitando as empresas oportunidades através de capacitação levando a ações criativas e inovações. A criatividade é um processo disruptivo que questiona os limites e os pressupostos estabelecidos. Levanos a pensar além dos limites. O que define a inovação é o
link entre o livre fluxo das idéias criativas com as realidades práticas da vida econômica, ou seja, a capacidade de avançar de uma forma sistemática. A criatividade impulsiona a inovação e a inovação impulsiona mudanças.

É tempo de literalmente “colocar a mão na massa”. O nosso negócio faz parte da vida e saúde dos nossos clientes. Superar, surpreender e entregar valor é o papel de todo panificador. O “pão nosso de cada dia” o pãozinho francês,  que é genuinamente brasileiro, como carro chefe das lojas
precisa ter qualidade extrema, afinal quem vai a padaria procura pelo pão e quer pão saboroso, crocante, dourado com miolo branco. No mundo do empreendedorismo, o primeiro negócio de qualquer negócio é permanecer no negócio. Vamos em frente e viva o pão.

 

Fernanda Hipólito
Proprietária da Panetteria
São Francisco & Panificação Flor da Tijuca
Diretora do Sindicato da Indústria da Panificação e
Confeitaria do Município do Rio de Janeiro

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