Inovação: já parou para pensar de onde ela vem?

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Inspiração.

Uma única palavra que representa um esforço homérico para se atingir o que hoje chamamos de criatividade. O combustível para a tão enaltecida inovação, a deusa e o demônio de nossos dias. As palavras inovação ou disruptivo parecem ser o mote do momento. O mundo parece estar o tempo todo correndo, como um cachorro corre atrás do rabo, atrás de inspiração para inovar. Ser criativo virou graduação curricular.

Como profissional da comunicação, estou o tempo todo cortejando as musas em busca de inspiração. Na Grécia Antiga se podia orar para essas entidades, parte deusas, parte titanides, que traziam ao coração toda a criatividade necessária para se atingir um objetivo.

Bom, hoje as musas se tornaram esquecidas, e preces a elas são apenas superstições de religiões pagãs há muito engolidas por novas crenças. Crenças essas que não são mais tão religiosas. Os novos deuses são o dinheiro, a internet, a “maldita inovação”. Todos tão invisíveis e cheios de significado subjetivo tal qual Zeus foi um dia.

Mas como conseguir atingir a inovação? Parece que nosso mundo está afundando em um caminho sem volta, onde quem não inova está fadado ao ostracismo, ou mesmo à extinção. Muitos encontram meios e os ensinam. É possível se instruir. Aprender é uma coisa basicamente sem limites. Seu conhecimento é a única coisa que ninguém pode te tirar, já dizia Alexandre Dumas.

É possível propor brainstorms, trocar ideias e estudar mais um pouco. Ler, prestar atenção aos problemas. A inspiração vem do inesperado. Problemas cotidianos podem esconder o próximo Uber, o próximo iFood, o próximo NuBank.

Desde tempos imemoriáveis, as melhores ideias são sempre as que buscam simplificar algo ordinário. Ninguém começa uma inovação querendo abraçar o mundo. Talvez o Elon Musk. Mas ele é um pouco diferente. Ele mira alto, mas suas ações primárias se focam no mundo próximo. Foi assim que ele fundou a Tesla. E é assim, com ações ligadas ao cotidiano, que ele está resolvendo problemas que irão concretizar o Space X e realmente mandar pessoas para Marte.

Um exemplo simples desse caso é que Musk queria chegar à Marte e, quando terminou de desenvolver seu foguete, descobriu que ele podia ir muito além. Porém, os problemas continuavam em coisas cotidianas, como “como convencer as pessoas a desbravarem o universo, sem a mínima chance de voltarem à Terra?”. Até os gênios tem problemas com as “miudezas” do mundo. Até eles tem que inovar nesse aspecto.

A busca por ideias novas guia todos os mercados, e basicamente todas as ações do mundo. Sua empresa precisa crescer? Combater a crise? Se tornar notória? Não é com grandes campanhas megalomaníacas que se conquista isso. O que os comerciais da Coca Cola mostram? Pequenas atitudes e vivencias felizes das pessoas que “por acaso” estão tomando Coca Cola. O que Apple vende? Não são smartphones. É um estilo de vida, é o “ter um telefone branco com a maçãzinha”.

É por isso que o storytelling é tão popular hoje em dia. O segredo das coisas está nos detalhes. Para mim, é o mesmo. As melhores pautas jornalísticas são aquelas que falam do cotidiano, dos problemas das pessoas comuns. Claro que a explosão de um reator nuclear ou um tsunami também são notícia, mas esses são pontos fora da curva. O cotidiano, as verdadeiras histórias interessantes estão nos detalhes. Foi unindo detalhes que se construíram grandes reportagens, como o livro Rota 66 do jornalista premiado Caco Barcellos.

Bom, mas eu falei tudo isso, sobre inovação, sobre inspiração, sobre detalhes, e aonde eu quero chegar com isso? Simples. Você quer ser um profissional melhor? Um comunicador melhor? Quer inovar? Se foque no pequeno. Resolva problemas simples. Alimente sua mente, se inspire com grandes coisas, mas veja os detalhes dentro delas. São eles que tornam obras grandiosas.

Grandes coisas são construídas de pequenas coisas, e é partindo daí que se se encontra inovação. Se inspire com o simples. Você verá que existem tantos problemas só esperando alguém prestar atenção neles. Ao encontrar a solução, achará tolice o fato de não ter inovado antes, seja qual for a sua área de atuação.

Por Welton Ramos
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